terça-feira, 28 de outubro de 2008

relançamento de "não por acaso dispersos".... 27/JUL/09 (SEG) às 19 h, no Campus de BRAGANÇA...

para aquisição do livro "não por acaso dispersos"

contato (91) 8709-2572 (benoni araujo) ou (91) 3238-9419 (fds)

em breve: nas livrarias e revistarias da cidade de belém/ pa
para aquisições em outros estados: fazer depósito bancário de R$-20,00: favorecido: benjamim da costa araujo - banco: itaú agência: 0936-5 conta corrente: 49.842-7

obs: informar data do depósito bem como nome e endereço completo para o e-mail: benoniaraujo@gmail.com para envio do livro via correios.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

a palavra que se desancora & se desafia

o que é exposto como destino em nossas mãos é no máximo a possibilidade de um mapa mal rasurado [e quando muito uma bússola!] cabe a nós assumirmos o risco de uma trajetória sinuosa... uma longa caminhada corresponde ao olhar introspectivo da escrita: há expectativas e estas decorrem oclusivas e silenciosas no ser... assim escreve-se porque entre tantas coisas há um silêncio, e prossegue-se nesta escrita porque se persegue este mesmo silêncio... a partir dele estão os sentidos, as memórias, os afetos... não importa o quanto a palavra esteja eclipsada, ela ainda está ali... eis a razão porque continuar; ainda que após auchswitz escrever poesia seja um ato de barbárie [adorno]... ainda que um rio fique completamente seco, há a pedregosidade de algo que nunca se deixa mudo... o pensamento como algo que nos arrasta silenciosamente [um modo outro de buscar esta escrita]. deste silêncio há muito que se falar: a crise da linguagem é mais ainda um motivo pra continuar a escrever... eis mais uma face do silêncio como recolhimento tão necessário à criação [blanchot]... nem tanto uma ou outra língua, mas a correnteza de uma linguagem que nos move o pensamento, a memória e sua siamesa relação com o esquecimento – eis o desafio: o que fazermos com este pensar? resistirmos como testemunha de um naufrágio ou tragédia? esta escrita persevera em direção a uma fronteira... não importa o caos de um tempo em que se está sempre envolvido, respira-se contra & além dessa existência...
benoni araújo

segunda-feira, 30 de junho de 2008

pão do tédio


velhas mãos modelam o queixo
longa tarde desbotada em sua quietude

no olhar do cão um deserto a perseguir
na estante a beleza calada
como tudo mais na casa
[uma varanda por varrer
um outono por retirar da relva]

esse diário de páginas inúteis
& o amontoar de amargos dias
[vinte e nove de novembro... caros amigos...]
nada leva nada traz
sequer o filho virá esta estação
& provável que nem às próximas
rotas alteradas
...................o descarrilamento de vez
[a voz do exílio chegando
..............................sob o lodo de tua boca]

sua vista oculta pelo silêncio
seu tosco coração aquecido em sopa
em nada lembram o vigor de sua escrita
agora move-se entre rasuras & nada mais
a náusea de um canto escuro & mudo
um amor fechando-se em sílabas


[benoni araujo. não por acaso dispersos, 2008]
mneumon vor der lethes

siehen die Gottolosen
auf den Felde
vernichten
die Sarons Rose

[tradução: ernani chaves]
[benoni araújo. não por acaso dispersos, 2008]

velar o amor ou a morte
já não havia diferença
[ali estava a voz que apenas
não queria se transformar em gemido]
as palavras
................escorrem horizontais
ajudam a dissolver os dias
a chuva ao final da tarde
nada além de lamentos
adorna esta cidade de porto

...............................sem mar
sua atmosfera de limo
& sempre a espera
destina-se a mim uma velha bússola
um mapa rasurado uma filha
heranças inconclusas

........................& de um sabor tártaro

[benoni araújo. não por acaso dispersos, 2008
]
port bou: a fronteira de um atrabiliário

trouxeram-te a melancolia por herança
ninguém a suportaria
destinatário desta solidão
amigos te escreveram & escreveram
as cartas nunca chegaram
refugiado numa rua de mão única
dela fizeste tua trincheira
uma esperança tão inútil
quanto as asas de um anjo
[filho predileto teu olhar teu horizonte
estilhaçados]
nem tudo melhora depois de uma guerra
amor morte selos postais: o que mais
caberia em tua maleta de passagens?
já não corres atrás de uma aura
mal atravessaste os pirineus
caíste na última fronteira da razão
nem te adiantaria colher flores
à margem de um rio
[resolveste te juntar a elas!]

[benoni araújo. não por acaso dispersos, 2008]
diário silencioso do último ano

cacos espelhados de narciso no quarto
quantas imagens fui [& já não sei?!]
palavras postas páginas mortas
.......................................neste dia
[estou cansada cada vez mais...& insatisfeita]
olhos rasos de água
mergulhada no tejo & no tédio
esse amor não quer que respire
no mar nem na mágoa
morrer à míngua & de excessos
a quem apelar [apeles?!]
uma alma um mal silencioso & asfixiante
sombra fugidia de um sonho
para sempre perdido
não devem haver gestos novos
apenas desejos vãos & fanatismo
mágoas saudade flor reliquiae
[à tua espera então entorpecer-me etc]

[benoni araújo. não por acaso dispersos, 2008]